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    <title>Sic transit gloria mundi </title>
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    <description>Já é o quinto blog que faço. Mas não será o último, ainda que o pretenda mais duradouro que os anteriores.&lt;br/&gt;Ele é fruto de uma convergência de tiradas (o que me der na telha), interpretação de fatos, observações irônicas e meros relatos; coisas que dedicaria aos outros, se lhes desse melhor trato.&lt;br/&gt;Tudo reunido neste endereço, parte do meu domínio desde 1998.</description>
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      <title>Um artigo emprestado 2</title>
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      <pubDate>Thu, 15 Jul 2010 20:50:26 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2010/7/15_Um_artigo_emprestado_2_files/77710-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/77710-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:240px; height:165px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Mudanças no Código Florestal baseiam-se em &quot;desconhecimento entristecedor&quot;&lt;br/&gt;por Por Aziz Ab’Saber (*)&lt;br/&gt;Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macrobiomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no &quot;Código Florestal&quot; tem de ser conduzida por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis.&lt;br/&gt;Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro. Favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais.&lt;br/&gt;Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos. Não têm qualquer ética com a natureza. Não buscam encontrar modelos técnico-científicos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, seja no Brasil Tropical Atlântico ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias &quot;ecologicamente auto-sustentadas&quot; é uma mania de cientistas irrealistas.&lt;br/&gt;Por muitas razões, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos essa idéia para Brasília e recebemos resposta de que era boa, mas complexa e inoportuna (…). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal.&lt;br/&gt;Razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país. Sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras, sobretudo de países hegemônicos, venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (…). Ou seja, os revisores do atual Código Florestal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha.&lt;br/&gt;O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território específico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Polícia Federal rural e o Exército Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que têm muito a aprender com um Código novo que envolva todos os macrobiomas do país e os mini-biomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimático e fitogeográfico do território.&lt;br/&gt;Para pessoas inteligentes, capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da &quot;estadualização&quot; é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e ecológico de todos os domínios de natureza do país. A saber, as duas principais faixas de Florestas Tropicais Brasileiras, a zona amazônica e a zona das matas atlânticas; o domínio dos cerrados, cerradões e campestres; a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos; os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul; além de nosso litoral e o Pantanal mato-grossense.&lt;br/&gt;Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo, que a meu ver é bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – sendo que atualmente na Amazônia Brasileira predomina um verdadeiro exército paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação têm mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília e diferentes membros do Executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinqüenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres o dono da fazenda e sua esposa e filhos em cavalos lindos.&lt;br/&gt;E os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E, alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bicicletistas meninos deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.&lt;br/&gt;Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que &quot;a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser&quot;? Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados. Sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do centro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os &quot;seus negócios na Amazônia&quot; (…). Ou seja, através de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo são libertados para madeireiros contumazes.&lt;br/&gt;E o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para reutilizar terras degradadas. Ou exigir dos governantes tecnologias adequadas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominados por areias finas (siltização).&lt;br/&gt;Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora está reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do país. Imagine-se que para o rio Amazonas a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais.&lt;br/&gt;Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos, rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.&lt;br/&gt;Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional.&lt;br/&gt;Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripário-biomas) e depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).&lt;br/&gt;Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma crítica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, por que na Amazônia a lei exige 80%? Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada derruição.&lt;br/&gt;Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as matas atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos &quot;mares de morros&quot;, colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma derruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².&lt;br/&gt;Os relatores do Código Florestal falam que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a &quot;(re)florestamento&quot; por espécies homogêneas pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestamento. Esse último, pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades. Sendo que eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas foi feito um plano de (re)organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: o Projeto FLORAM.&lt;br/&gt;Os eucaliptólogos perdem sentido ético quando alugam espaços por trinta anos de incautos proprietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis, do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo. Isso ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinus, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.&lt;br/&gt;Por todas as razões somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo, que conhecemos há muito tempo e de quem sempre esperávamos o melhor. No momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem de pensar na sua biografia e, sendo político, tem de honrar a história de seus partidos. Principalmente em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.&lt;br/&gt;Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Trata-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições sócio-ambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios administrados técnica e cientificamente por órgãos do Executivo federal, teríamos de conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia, que envolve conexões com nove estados do Norte brasileiro. Em relação ao Brasil Tropical Atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de norte a sul do Brasil. E assim por diante.&lt;br/&gt;Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.&lt;br/&gt;Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres.&lt;br/&gt;Em qualquer espaço do território amazônico que vêm sendo estabelecidas glebas com desmate de até 80% haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas de inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas, ficarão à mercê de corte de árvores dotadas de madeiras nobres. E, além disso, a biodiversidade animal certamente será profundamente afetada.&lt;br/&gt;Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de 500 a milhares de quilômetros quadrados, e dentro de cada parcela das glebas colocassem indicações de 20% correspondentes às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em áreas de quarteirões implantados para venda de lotes de 50 a 100 hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente.&lt;br/&gt;*Aziz Ab’Saber é professor emérito de geografia da USP e já produziu diversos trabalhos sobre a Amazônia Brasileira, tendo mais de 400 trabalhos acadêmicos publicados&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.envolverhttp://www.envolverde.com.br/%253Fmateria%253D77710&quot;&gt;publicado na revista digital Envolverde&lt;/a&gt; em 2010.7.15&lt;br/&gt;© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente  para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. </description>
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      <title>Um artigo emprestado</title>
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      <pubDate>Sat, 29 May 2010 01:47:07 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2010/5/29_Um_artigo_emprestado_files/woodthinker-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/woodthinker-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:249px; height:225px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;As novas dimensões da educação&lt;br/&gt;por Ricardo Young (*)&lt;br/&gt;Após ler o interessante artigo escrito por Milú Villela e Mozart Neves Ramos, publicado pela Folha de São Paulo na segunda, 24/05, “A Educação Mobilizando o Brasil” sobre a necessidade de se valorizar, capacitar e criar uma carreira diferenciada para os professores, achei por bem também entrar nessa discussão.&lt;br/&gt;Milú e Mozart citaram a experiência de Nova York onde a meritocracia é apresentada como uma das dinamizadoras da qualidade educacional. Outro ponto destacado no artigo, foi a desvinculação e descentralização do orçamento das escolas em relação ao orçamento público. Todos esses pontos são realmente importantes, mas ainda precisamos avançar mais se quisermos colocar o Brasil num patamar de real protagonismo no século XXI.&lt;br/&gt;Nós já estamos vivendo um período de enormes desafios muitos deles longe de serem superados. O Brasil vai bem em muitos setores macroeconômicos, mas o nosso tecido social apresenta uma fragilidade ímpar. A capacidade nacional para a formação de cérebros, a competência científica, de pesquisa, de inovação tecnológica em grande escala é ainda muito pequena. Até mesmo o estado de São Paulo, entre os mais avançados do país, não consegue formar um conjunto razoável de cientistas que possa fazer frente a velocidade das inovações tecnológicas, como por exemplo, no campo das mudanças climáticas.&lt;br/&gt;É preciso criar as condições para uma ruptura virtuosa. Não é possível se esperar duas ou três gerações para que nós possamos gerar competência e formar cérebros na altura da demanda que o Brasil terá e já está tendo em relação ao seu posicionamento no mundo.&lt;br/&gt;Precisamos de uma revolução curricular que contemple, pelo menos, três dimensões da educação.  A primeira delas é a da sociedade em rede.  Já vivemos essa realidade e, portanto todo o processo de aprendizado não se dá mais só na sala de aula e o professor não é a única fonte de conhecimento. O mundo, com seus milhares de acessos, é a fonte de conhecimento e a sala de aula deveria servir para reorganizar de forma cognitiva esse mesmo conhecimento.&lt;br/&gt;A segunda dimensão é a ecológica. A sociedade moderna criou um divórcio entre o aluno e a natureza. Será necessária, uma reconciliação profunda com o meio ambiente. Não é possível educar nossas crianças sem que elas conheçam profundamente as leis que orientam a natureza, não de maneira fragmentada como se dá hoje, mas por meio de um modo sistêmico da ecologia profunda proposta na Carta da Terra. O que podemos chamar de uma verdadeira realfabetização ambiental. Nós, seres urbanos, perdemos a conexão com o meio ambiente, com a comunidade da vida e as leis mais elementares que regem os recursos do planeta. Isso faz com que ignoremos as leis naturais mais elementares. Um bom exemplo é que enxergamos a presença dos insetos como simplesmente falta de limpeza, nós perdemos a noção do que significa esse rico, complexo e indispensável universo de microorganismos.&lt;br/&gt;E a última e terceira é a dimensão de cidadania global, nas quais as questões nacionais são relativizadas por uma dimensão planetária horizontalizada. As nossas crianças não têm ideia do que significa o planeta, a diversidade, a interdependência, os valores universais, a cidadania global. Na escola nós aprendemos muito sobre nosso o país e nosso povo, mas totalmente desconectado do geral, da aldeia global em que estamos presentes. Essa dimensão de cidadão do mundo é fundamental na educação.&lt;br/&gt;Nós não podemos cair na armadilha e reduzir a questão da educação apenas com a universalização do ensino fundamental e médio e da qualificação do professor e do ensino apenas. Nós precisamos ser mais ousados. Temos que buscar por esse caminho, a formação radical de competências científicas, tecnológicas e uma outra visão mais voltada para o mundo como realmente ele é, não como nós o reproduzimos nas grandes cidades.&lt;br/&gt;Todas essas dimensões precisam referenciar uma reforma curricular e de maneira transversal.  Se a consolidação de uma sociedade industrial e as referências territoriais foram importantes para a determinação cultural do indívíduo e para a formação das nações. Ficou para trás o tempo em que prevaleciam os limites do interesse nacional e a visão pelo prisma do antropocentrismo. Hoje é preciso se adequar a uma visão global.  O planeta deve ser visto como um todo. Os mares, rios, ecossistemas devem ser pensados de maneira sistêmica e complementar. Colocar essas dimensões a serviço da sociedade global do século XXI passa por todos os setores, especialmente pela educação de nossos jovens.&lt;br/&gt;Ricardo Young é empresário, militante da causa da sustentabilidade e pre-candidato a senador por São Paulo pelo Partido Verde.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;a href=&quot;http://www.envolverde.com.br/materia.php%253Fcod%253D75306%2526edt%253D1&quot;&gt;publicado na revista digital Envolverde&lt;/a&gt; em 2010.5.28&lt;br/&gt;© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente  para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. </description>
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      <title>A óbvia culpa da chuva</title>
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      <pubDate>Thu, 8 Apr 2010 17:50:12 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2010/4/8_A_%C3%B3bvia_culpa_da_chuva_files/riosubmerso-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/riosubmerso-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:249px; height:196px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Esta semana instalou-se o caos urbano no Rio de Janeiro. Chuvas fortes, alertava o serviço de meteorologia na segunda, ainda que não indicasse o ponto da descarga ou tampouco a vazão da enxurrada. A cidade já havia experimentado chuvas de proporção semelhante em tempos não tão distantes. Mas o que se viu — e se sentiu — nesta semana, foi coisa diluviana. O toró foi pra valer.&lt;br/&gt;Para quem não conhece a cidade, trata-se de uma linda topografia à beira mar: morros altos, íngremes, muitos ainda verdes, alguns vales, restingas, muitas áreas de várzea e baixadas, estas últimas a poucos metros acima do nível do mar. A cidade do Rio cresceu às custas de derrubadas de pequenos morros (Castelo e Santo Antônio), drenagem de pântanos e lagoas, aterros variados, canalizações de inúmeros rios, ocupação desenfreada e deseordenada e a inevitável verticalização acontecida no século 20. Para quem conhece a cidade do Rio de Janeiro, não é difícil entender que uma chuva forte causa inúmeros transtornos, de alagamentos intransponíveis a desabamentos impressionantes.&lt;br/&gt;Salvo um ou outro planejamento (Agache, Doxiades e Lucio Costa), os variados alcaides desta cidade — que já foi sede de vice-reinado, corte real e imperial, e capital de várias repúblicas — pouco se preocuparam com a geografia, com a geologia, muito menos com a segurança e bem-estar social. De Bobadela até hoje, a mira foi predominanetemente a arrecadação e confisco. Para grandes eventos, em nome de uma pirotecnia política digna do século 19, cobrem-na de missangas e paetês, iluminam-na com fogos de todas as cores, tudo para ficar bem na foto; tudo para o bem de um seleto grupo de apaniguados e amigos do rei. A população que se vire e assista... Ah!&lt;br/&gt;Só na segunda metade do século passado, portanto nos últimos 60 anos, a Natureza mostrou quem manda. Em 1966, 1967, 1988 e 1996, a cidade (e seu entorno) recebeu cargas d’água de enormes proporções, contabilizando muitas centenas de mortes e bilhões em prejuízo material. Muitas obras foram realizadas para evitar catástrofes futuras, é verdade, mas muitas ações preventivas não foram realizadas desde então, o que podem perfeitamente explicar as tragédias do presente. A negligência na permissão da construção de casas em áreas de médio e alto risco é um dos mais graves erros cometidos nas administrações do Rio nos últimos 250 anos.&lt;br/&gt;Como eu escrevi recentemente no twitter, o Rio de Janeiro tem uma história longa, densa e rica, enquanto seus governantes têm sido predominantemente curtos, ocos e pobres. Talvez por isso mesmo eles insitem na óbvia culpada de tudo isso: a chuva.</description>
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      <title>Coisas do Twitter...1</title>
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      <pubDate>Sun, 14 Feb 2010 23:34:49 -0200</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2010/2/14_Coisas_do_Twitter...1_files/pier-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/pier-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:299px; height:187px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;(WARNING! o irresponsável proprietário deste blog adverte: isto é um rascunho)&lt;br/&gt;----------------------------------- &lt;br/&gt;O twitter é uma coisa interessante. Sim, coisa, porque não tenho como definir melhor. Estudiosos do fenômeno, talvez puristas, o chamam de rede social. Outros, mais saudosistas, comparam-no a um irc com esteróides. O seu criador preferiu chamá-lo de microblog.&lt;br/&gt;Fato é, que em cento e quarenta caracteres há que se dizer de tudo um pouco. Ou quase. E também há de quase tudo de quase todos. Jornalistas e cientistas, blogueiros e roqueiros, políticos e verídicos, educadores e doutores. Há até poetas e patetas... (continuo a lista outro dia)&lt;br/&gt;Eu já escrevi algumas coisas rimadas, arrumadas, coisas da lida e vida. Mas a maioria tá perdida e não vou achar. Tá por aí, em algum lugar.&lt;br/&gt;Rascunhando um dia, saiu isso aí... Mandei pra lá. Ficou aqui.&lt;br/&gt;-----------------------------------&lt;br/&gt;Marcavam na lua cheia, bromélias desenxabidas, e roseiras empedernidas o começo de uma nova hera.&lt;br/&gt;Uma era em que fui mais calmo mais medido a meio palmo não tinha compasso d'espera saía do cais pra pisar n'areia.&lt;br/&gt;(continua)</description>
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      <title>Do fundo do baú (VIII)</title>
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      <pubDate>Tue, 15 Dec 2009 20:38:44 -0200</pubDate>
      <description>De quando em vez, vou republicar aqui alguns posts dos meus (ex-)blogs espalhados por aí. Esse é mais um. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Educação x computadores (publiquei esse post no wikirus em 2006.8.25 a partir de um post na rede Peabirus)&lt;br/&gt;Numa palestra recente, Seymour Papert comentou que numa conferência sobre computadores e educação em Sydney, no início dos 90, fazendo o fechamento do evento, disparou: “... espero que esta seja a última conferência sobre computadores e educação...”&lt;br/&gt;• • •&lt;br/&gt;Muitas perguntas têm sido feitas a muitos especialistas, e algumas respostas, nem sempre satisfatórias têm sido dadas. Dentre as perguntas, a mais óbvia é: como inserir a tecnologia da informática (leia-se computadores e todo o seu contexto) nos processos de aprendizado? Uma resposta que NÃO tem sido dada, por força de um hábito arraigado há décadas, é: por que não se discute a função primordial do lápis e do papel na educação?&lt;br/&gt;É obvio, diriam alguns, o lápis e o papel são itens naturais de nossa mera existência como eternos aprendizes.&lt;br/&gt;Fazem parte do dia-a-dia de nossas vidas; não há mais o que se debater sobre eles. Ou, diriam outros, como podem os alunos registrar o que lhes foi exposto, ou mesmo desenvolver um assunto sem registrar informações que os levem a pensar sobre esse mesmo assunto?&lt;br/&gt;A simples comparação entre lápis-papel e o computador não é fácil, mas podemos admitir que o conjunto lápis-papel tem sido — por séculos — as ferramentas de gravação de pensamentos e sentimentos de cada um de nós; tem sido a forma mais prática de expressão gravada, de colaboração e de discussão de idéias. O computador ainda não é. O computador ainda é entendido por um grande contingente de educadores como algo à parte, um aparelho que permita que se escreva bonito, não importando o conteúdo. O computador ainda é um aprelho que faz contas muito rapidamente, não importando o entendimento das contas, suas raízes ou conseqüências. O computador é um aparelho que facilita a apresentação em telas coloridas, animadas e sonoras, não importando o que se pensou antes de apresentá-las.&lt;br/&gt;Uma derivada direta do conjunto lápis-papel é o livro. O que é o livro, afinal? O que são livros, cadernos de texto, manuais instrucionais, jornais e revistas e ainda todos os outros meios de informação impressa, que provocam nossos sentidos e nossa sensibilidade? São memória, são expressões gravadas que permitem a interpretação e elaboração de novas idéias, e possibilitam colaboração e discussão dessas mesmas idéias. Nos fazem pensar, imaginar, criar...&lt;br/&gt;Entra em cena o computador. Ele (e seus derivados), aliado às facilidades de comunicação hoje disponíveis, amplia fantasticamente essa possibilidade de memória e expressão. Mais ainda, se imaginarmos que há uma possibilidade de interação, alguma coisa que reaja às nossas ações, a coisa se torna interessante. Se imaginarmos que com ele podemos interagir com os nossos pares, fica mais interessante ainda.&lt;br/&gt;Se, com essa interação com pares, podemos ampliar nosso espectro de informações, gravá-las e reusá-las, permitindo discutir e colaborar interativamente, começa a ser delineado em nossas mentes um novo conteúdo, um novo pensar. Aprender esse novo pensar torna-se imperioso. Saber como lidar com a velocidade e com a intensidade do disponível é fundamental. Atravessar as áreas do conhecimento tradicional trans- e interdisciplinarmente com esse novo pensar é a saída para a Educação.&lt;br/&gt;Existem e são criadas, a todo momento, formas de promover o aprendizado deste novo pensar. Redes sociais e sites colaborativos (como wikis, por exemplo) são a essência de toda essa conversa. A rede, por sua própria conformação envolve o caos com todo um conhecimento disperso, desagregado e aparentemente desconexo. Pairam sobre ele indicadores, pontos de convergência dos caminhos da informação e, finalmente, construção de um conhecimento. Esse conhecimento será trocado, discutido, filtrado e reusado. Esse novo pensar é o pensar em rede. E é esse novo pensar que deve ser o cerne de uma nova educação.&lt;br/&gt;Enquanto currículos obsoletos considerarem informática como disciplina; enquanto formas arcaicas de introduzir o computador na escola serem aquelas que o confinem a “laboratórios”; enquanto não entendermos coletivamente que é necessário reaprender a pensar com as facilidades tecnológicas ao nosso dipor; enquanto os educadores não entenderem a drástica mudança de seus papéis nesse contexto, continuaremos eterna e cansativamente discutindo o papel do computador na educação, nos esquecendo de discutir a própria educação, e sua necessária e urgente reforma.</description>
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      <title>Faltam poucos dias...</title>
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      <pubDate>Thu, 15 Oct 2009 01:54:37 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2009/10/15_Faltam_poucos_dias..._files/800px-Vor_Frelsers_Kirke-view8-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/800px-Vor_Frelsers_Kirke-view8-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:249px; height:187px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;A chapa está esquentando. Em menos de dois meses, o mundo estará com os olhos e ouvidos voltados para Copenhagen querendo saber o que se pensa e se propõe para minimizar o estrago já feito e reduzir as possibilidades de estragos futuros no planeta. Trata-se de uma reunião que alguns ainda acreditam que possa dar um fôlego adicional ao Protocolo de Kyoto, enquanto outros consideram Kyoto como passado, sendo agora tempos de repensar o futuro sem olhar pelo retrovisor.&lt;br/&gt;Não será uma tarefa simples, nem fácil. Em reuniões preparatórias, não houve consenso nem mesmo concordância parcial entre os países envolvidos, divididos em grupos esquisitos e anacrônicos, a argumentar coisas ainda mais esquisitas e praticamente inviáveis. O que aconteceu em Buenos Aires e, recentemente, em Bali e em Bangkok foram redundantes fiascos.&lt;br/&gt;O Brasil poderia dar um exemplo ao mundo agora em dezembro; poderia ser ousado nas suas aspirações e propostas de compromisso. Mas não. Prefere continuar culpando os ricos e desenvolvidos por uma ação remota e disso tentar extrair algum dividendo político e financeiro. Sinteticamente, a Conferência das Partes nº 15 (COP15) é um jogo de interesses, onde deve prevalecer um vencedor maior - o planeta. Mas sendo um jogo, cada um aposta o que pode (ou deve) com as cartas que lhes foram distribuídas. Num jogo, apostas são feitas com dois propósitos: ganhar e ganhar. O Brasil pode levar uma 'boa mão' e tem um cacife bem alto, seguramente maior que a maioria. Mas ele está mantendo uma aliança equivocada com um conjunto de ‘aliados’ menos favorecidos. Por isso e outras razões não apostará alto. Prefere pagar menos pra ver o jogo dos outros, quase passando à mesa sua cartada.&lt;br/&gt;O Brasil poderia perfeitamente apresentar uma proposta de desmatamento zero até 2020. Mas não consegue. Partes do governo estão degladiando sobre a possibilidade (difícil mesmo assim) de propor 80% de redução no desmatamento até aquele ano. Ao mesmo tempo, estimula o desmatamento para o agronegócio — uma das grandes bases de seu modelo exportador, e provoca o desmatamento em obras discutíveis. O Brasil poderia propor redução de emissões importantes de CO2 num compromisso plausível com a indústria poluidora e com a modernização e modificação modal generalizada de seu transporte de carga e passageiros urbanos em alguns anos. Mas prefere apostar fichas internas num ambicioso, polêmico e caríssimo programa de extração de óleo em áreas ultra-profundas. O Brasil poderia apostar em um programa de susbstituição gradual de fontes fósseis e incentivar o uso de energias limpas e renováveis para geração elétrica. Mas prefere apostar em... mais termoelétricas! Em outras palavras, o modelo de desenvolvimento que se adota no Brasil bate de frente com a sustentabilidade preconizada para o século 21, o que só piora sua posição na mesa do jogo.&lt;br/&gt;O enviado especial dos EEUU para a mudança climática Todd Stern, disse, recentemente:&lt;br/&gt;&quot;... I think that an issue like this, which is of enormous importance to the world ... is an ideal opportunity for Brazil to demonstrate leadership on the global stage. And if you want to be a global player, that's what you have to do.&quot;&lt;br/&gt;A maioria dos jogadores sabe, na prática, quais as possibilidades de apostas que o Brasil pode lançar mão e o relativo tamanho do seu cacife. Ao governo e seus representantes na Conferência cabe o dever de sair de cima do muro e ter a ousadia necessária para liderar. Ninguém lidera com modéstia e compromissos anacrônicos.</description>
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      <title>As Olimpíadas e o pré-sal</title>
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      <pubDate>Sat, 10 Oct 2009 02:43:01 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2009/10/10_As_Olimp%C3%ADadas_e_o_pr%C3%A9-sal_files/corcovado-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/corcovado-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:195px; height:126px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Não escondo minha profunda antipatia sobre as iniciativas do governo sobre a exploração de petróleo nas chamadas camadas ultra-profundas, conhecidas como camadas pré-sal. Menos ainda escondo minhas suspeitas sobre as razões para as mudanças no famigerado marco regulatório, para regular a exploração daquela gosma preta nessas circunstâncias. Aí tem...&lt;br/&gt;As inúmeras razões que uso para a minha atitude podem ser condensadas em quatro perguntas: 1. Por que o atual governo insiste em achar que o óleo do futuro será nossa salvação, a panacéia para os grandes males brasileiros? 2. Por que não se expõe — publicamente — a estimativa de custo realista, completa e honesta dessa pretensa exploração? 3. Por que não se faz — já, imediatamente — tudo o que é preconizado como possível futuro, a partir de (supostos e suspeitos) dividendos deste recurso? 4. No momento em que o mundo busca alternativas não-renováveis para fontes de energia, por que o Brasil procura e persegue furiosamente a contra-mão, a um provável enorme custo ambiental?&lt;br/&gt;Faço parte de uma minoria óbvia, mas sou insistente e não há quem me convença do contrário. Não com relação a essa estupidez. Sou contra o pré-sal e pronto!&lt;br/&gt;Agora vem os Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro em 2016. Nada contra os próprios. Admiro o esporte em geral, particularmente os individuais — aqueles que verdadeiramente transformam o ser humano um competidor de si mesmo, ampliando e aprimorando sua capacidade física, numa busca aparentemente incessante do superhumano.&lt;br/&gt;Mas os JJOO modernos são um instrumento de marketing, um mecanismo de atração muito mais para onde eles são realizados que propriamente para quem os protagoniza. Um exemplo clássico foram os jogos de 1936, quando Hitler quis mostrar ao mundo a ‘supremacia ariana’, a ‘Deutchland uber alles’ portentosa, ressurgida qual Fênix. E assim foram todas as outras. Não faltaram boicotes idiotas durante a guerra fria, disputas cretinas de bastidores, como se o esporte fosse parte da bandeira ideológica. Os JJOO são hoje disputados por firmas comerciais para espaços de patrocínio e se tornou basicamente um show de tv.&lt;br/&gt;Antes os países, e agora as cidades, parecem ser mais importantes que os atletas e suas modalidades esportivas. Hoje, as cidades-sede são cada vez mais alvo de cobiça, com claríssimos dividendos políticos e redenções pessoais (leia-se bolso). Não importa muito aqui discutir o porque disso, menos ainda a razão do teatrinho montado para as decisões finais. É tudo parte do show business.&lt;br/&gt;Achei até engraçado um website criado e promovido por chicagoanos (chicagoansforrio.com) para promover o Rio como cidade olímpica. O website já está fora do ar, por motivos mais que óbvios, mas era notável uma clara e divertida disposição dos chicagoanos insatisfeitos na busca de adeptos para a campanha. Muitos com o argumento que a cidade não suportaria mais dívidas por conta dos JJOO. Resumindo, eram contra por razões cidadãs. Curioso.&lt;br/&gt;Mas os caciques de plantão em Pindorama se esforçaram para promover o Rio. Lobbies fortíssimos foram montados há muito para o desfecho final em Copenhagen. Até o Obama, que nem é chicagoano de nascimento, mas foi senador por Illinois, adotou e teve Chicago como sua base eleitoral, estava lá para promover a windy city. Espanhóis e japoneses torciam, cada um a seu modo, por suas respectivas capitais. Deu Rio. Choros japoneses e narizes torcidos espanhóis foram mostrados na tv. Outros choros e risos tinham o verde-e-amarelo como pano de fundo.&lt;br/&gt;E agora? E agora, pergunto eu: toda a enxurrada de investimentos que se diz será feita em prol de um Rio melhor, não podeira ter sido feita sem a necessidade dos JJOO? Claro! Mas não aconteceu antes por falta de vontade política, por desprezo, desleixo, estupidezes partidário-ideológicas e por ‘n’ outras razões. O fato é que não foi feito. Tudo o que se diz como razão para fazê-lo agora é pura falácia. Demagogia barata e porca. Inês é morta.&lt;br/&gt;Agora, cidade olímpica terá (dizem os alegres gerentes) tudo do bom e do melhor. Será? Será que teremos o que realmente precisamos ter? Será que teremos o que não gostaríamos de ter? Será que o preço a ser pago pelo que virá, compensa o transtorno e a permanente sensação de maracutaia? Será que o Rio vai ser um lugar melhor amanhã e depois? Será que a tragédia urbana que ainda é chamada de maravilhosa poderá merecer esse apelido com justiça e razão? Muitos serás e muitas dúvidas. Não há, por enquanto, respostas honestas e realistas para esses ‘serás’.&lt;br/&gt;Entretanto há mais uma pergunta da série que já tenho a resposta: será que não é mais um ufanismo estúpido ‘a la’ pré-sal? Eu penso que sim.</description>
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      <title>Do fundo do baú (VII)</title>
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      <pubDate>Wed, 9 Sep 2009 18:36:25 -0300</pubDate>
      <description>De quando em vez, vou republicar aqui alguns posts dos meus (ex-)blogs espalhados por aí. Esse é mais um. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Duas esperanças... (publiquei esse post na rede peabirus em 2007.12.22 03:59pm)&lt;br/&gt;Caro membro da comunidade ou visitante, tal como muitos aqui na Peabirus, torço pelo XO*.&lt;br/&gt;Acompanho a saga desde fevereiro de 2005, conheço muito bem as idéias (já têm quase 40 anos) que o tornaram realidade, e admiro muito a forma como foi e está sendo conduzido todo o projeto (ainda que esteja convencido que, no caso de Pindorama, faltou muito jogo-de-cintura).&lt;br/&gt;Posso dizer que, a partir do que sei, presenciei e participei do projeto, ele merecia ter vencido.&lt;br/&gt;Não creio que caiba discutir ad nauseam a modalidade e o processo da escolha, menos ainda suas trapalhadas tributárias. No meu ponto-de-vista, entretanto, um projeto-piloto dessa envergadura não poderia jamais, em tempo algum, ter sua decisão baseada numa escolha a partir de competição financeira. Me parece incoerente, para dizer o mínimo. Estamos diante de uma janela de mudança radical na Educação Brasileira, com enormes implicações econômicas no futuro. Não é simplesmente uma tomada eletrônica de preços que resolve a triste situação em que nos encontramos. Mas é assim que o governo a vê. De forma semelhante aos americanos, que gostam de citar casos de sua história, para que certos erros não se repitam (ex: &quot;Remember the Alamo&quot;), lanço aqui a frase: “Lembrem-se do Marquês de Pombal.”&lt;br/&gt;Respeito a empresa Positivo Informática e considero-a uma empresa exemplar. Em poucas décadas, passa do nada a um dos primeiros lugares no fornecimento de computadores para os brasileiros — pessoas, escolas, empresas e governo. O feito não é pequeno. Respeito seu esforço industrial e comercial, sua participação no cenário de TI, sua aliança com gigantes para alavancar mais ainda essa participação e, consequentemente, seu crescimento econômico. Portanto, se a regra do pregão foi a do menor preço, ela fez muito bem o seu dever-de-casa.&lt;br/&gt;Agora, daí a fazer com que 150 mil computadores nas mãos das crianças e professores sejam muito mais que meros cadernos eletrônicos, será uma tarefa pantagruélica e demandará uma revisão de cabeças de semelhante calibre. Espero que aqui no Brasil não ocorra como na Nigéria, cujo governo decidiu não só pelo Classmate***, como também optou por um conhecido software de produtividade como ferramenta educacional para crianças. Não conheço os problemas da Nigéria; eles devem ter lá suas razões para tê-lo feito, da forma que fizeram. Aqui, seria a mais cruel, estúpida e catastrófica maldade.&lt;br/&gt;Ainda torcendo pelo XO, quero expressar duas esperanças:&lt;br/&gt;— a primeira: que, num dos testes de verificação de aderência — o Teste de Resistência a Impactos Dinâmicos — o Classmate rache irremediavelmente na diagonal e/ou se espatife em cacos. Se o segundo colocado também for Classmate, que tenha a mesma sorte. (nothing personal, guys, it's just business...)&lt;br/&gt;— a segunda: que, independentemente da concretização da primeira esperança, a coordenação do projeto UCA** force, de alguma forma plausível e aceitável, a implantação da metetodologia 1:1 construtivista nas escolas deste pilotão. O exemplo a mirar é o trabalho que está sendo desenvolvido na Escola Luciana de Abreu (Porto Alegre) por uma equipe fantástica, liderada pela profª Léa Fagundes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Notas: * XO é o nome do laptop do projeto OLPC, conhecido originalmente como o “laptop de US$100” ** UCA é a sigla do programa Um Computador por Aluno, do governo federal. *** Classmate é o nome do desenho de computador para estudantes, promovido pela Intel e produzido por terceiros.</description>
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      <title>Intransigente, quem? Eu?</title>
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      <pubDate>Sat, 5 Sep 2009 23:22:18 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2009/9/5_Intransigente_quem,_eu_files/rageface-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/rageface-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:334px; height:187px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Volta e meia escrevo aqui sobre o curso de Educação Ambiental que resolvi encarar. Como já escrevi antes, estou adorando. De quando em vez surge, no forum do curso, oportunidade de trocar textos ligeiramente OT, mas que são honestamente inspirados (a modestia já dormiu).&lt;br/&gt;Uma colega escreveu sobre coisas dos anos 50 e 60. Na verdade, não creio que mais que quatro alunos tenham vivido essa era — quase mesozóica, mas eu estou entre eles. E posso falar um pouco desse período, que significou praticamente toda minha formação.&lt;br/&gt;Resolvi replicar com alguns 'corolários':&lt;br/&gt;Nos anos 50 e 60 tinhamos menos da metade da população de hoje, e razoáveis conhecimentos sobre comida saudável, simplesmente porque não conhecíamos outra senão ela mesma. E não havia junk food em grande quantidade.&lt;br/&gt;Nos anos 50 e 60 tinhamos mais espaço pra lazer e entretenimento per capita e uma segurança individual e familiar que nem nos passava pela cabeça. A concentração demográfica nos tirou da calçada e nos pôs em frente à televisão. E o carro que não tínhamos, porque era coisa difícil de se ter, hoje é posto na calçada, porque o difícil agora é o espaço*.&lt;br/&gt;Nos anos 50 e 60 tudo muda em pouco tempo. A indústria sobressai como mola mestra de um progresso anunciado. Carros e navios agora são ‘made in Brazil’. A migração interna acompanha. A miséria no campo é estampada e a corrupção escancara (sim, sempre houve ambas).&lt;br/&gt;Nos anos 50 e 60 a política sai da letargia ditatorial e dá piruetas de embrulhar o estômago. O progresso, em nome de um nacionalismo verde-oliva maroto, começa a piorar o campo e as cidades, e agora invade florestas, estas esquecidas desde a borracha.&lt;br/&gt;Nos anos 50 e 60 talvez fossemos mais felizes. Ou mais inocentes. Talvez. Não importa muito. Agora, Inês é morta, enterrada e a qualidade medida por índices, não por sabor, cheiro, tato, visão e paladar... ou, coração e mente. E o coração não mente.&lt;br/&gt;A aritmética é cruel. Nasci, cresci e vivo numa cidade cujo crescimento geográfico se dá pra cima há décadas. A cidade é uma tragédia urbana sem solução neste século, salvo cataclismas de grande proporção. Ela continua linda, maravilhosa, cantada em prosa e verso.&lt;br/&gt;E não venham me dizer que a qualidade de vida aumentou entre os anos 50-60 e hoje. ‘Au contraire’, pelos meus próprios indicadores, diminui a cada dia.&lt;br/&gt;Tudo mais ou menos assim: vão inventando índices que medem sei lá o que. A Educação está um palavrão indizível há quase um século. A Saúde mata mais que doenças. A Segurança foge dela mesma. Meu vizinho está cada vez mais perto de mim (o cinismo oficial é extremamente popular).&lt;br/&gt;Estou ficando cada vez mais intransigente. Coisa da terceira idade que se aproxima célere. Nada grave.&lt;br/&gt;* apud Millor.</description>
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      <title>Ribbentrop-Molotov</title>
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      <pubDate>Tue, 1 Sep 2009 12:56:38 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Entries/2009/9/1_Ribbentrop-Molotov__files/ribbentrop-molotov-filtered.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://web.me.com/ptdrumm/Site/Blog/Media/ribbentrop-molotov-filtered_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:247px; height:213px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Há exatos setenta anos a Polônia era invadida pela Alemanha, coisa que deu início a uma das mais sangrentas guerras que o homem inventou. Certamente a mais global.&lt;br/&gt;Gosto muito de recorrer à História. Cada caso que vemos todos os dias tem um paralelo interessante na história do país, mas sempre encontramos paralelos famosos também na história do mundo. A história do comércio é repleta, e a da política, então, nem falemos. Até porque há tantas, que por serem semelhantes ao extremo, escrever sobre elas seria um infindar de redundâncias.&lt;br/&gt;Há uma passagem histórica famosa, que mesmo não sendo estritamente comercial, ilustra de forma clássica as relações amistosas iniciais e disrupções traiçoeiras no instante seguinte, tal qual as inúmeras histórias comerciais que nos circundam.&lt;br/&gt;Joachim von Ribbentrop e Vyacheslav Molotov, ministros de ralações exteriores do Reich Alemão e da União Soviética, respectivamente, assinaram em agosto de 1939 um pacto de não-agressão em nome dos governos de seus países. Uma semana depois, a Alemanha invade a Polônia e se põe 'à porta' da União Sovética. No início do verão de 42, as forças armadas alemãs avançam fundo na União Soviética, constituindo-se na maior invasão de toda a História escrita. Adolf Hitler chegou a dizer na ocasião: &quot;Nós damos um chute na porta e toda a estrutura podre virá abaixo.&quot; Mais tarde, a natureza aliada dava o troco e várias divisões alemãs eram dizimadas, capturadas ou batiam em retirada. O inverno russo já havia mostrado a Napoleão com quantos paus se faz uma canoa. Os estrategistas do Reich não fizeram bem o dever de casa.&lt;br/&gt;Passados esses setenta anos, um acordo coloca nas mãos de um Congresso inepto e doente algo que pode comprovar-se numa tragédia anunciada. Os projetos de lei que tratam do ‘pré-sal’ carregam um desatino de proporções pantagruélicas. Para mostrar um Brasil rico e poderoso, constitui-se um programa de exploração de petróleo de proporções inimaginadas por essas bandas. Enquanto o mundo procura desatrelar-se do ouro negro por razões econômicas, estratégicas e — principalmente — ambientais, Pindorama corre por fora, na contra-mão, com uma bandeira populista enorme, onde se lê: “Óia eu aqui, gente! Eu tenho, e tenho muito!”&lt;br/&gt;Alega-se que, da riqueza daí proveniente, surgirá uma panacéia para curar uma de nossas mazelas mais visíveis: a Educação. Falácia! Países sem petróleo fizeram muito por ela por vontade política e pactos interpartidários, não por riqueza. E o fizeram, curiosamente, numa época que o petróleo passou de US$4 para US$40/bbl em menos de dez anos. Em Pindorama, não se fez praticamente nada pela Educação nos últimos setenta anos, e a basear-se nos supostos ‘dividendos do pré-sal’, teremos que esperar ainda uns 20, 30, talvez mais.&lt;br/&gt;Antes disso, Mãe Natureza dará seu troco. Com juros.</description>
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